O premio da Nair

Publicado em 05/08/2011 por

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Desde o início da carreira, Nair Benedicto esteve envolvida com as questões sociais. Seu trabalho é marcado pela voz que dá às minorias, propondo uma reflexão sobre temas como preconceito, violência contra a mulher, homossexualidade, o menor de rua e o índio. Por conta desse forte engajamento político, Nair passou momentos difíceis nos tempos da ditadura, quando foi presa e torturada.

Seu trabalho é reconhecido internacionalmente. Nair acredita no potencial transformador da fotografia, provocando reações na sociedade ao expor suas cicatrizes. O retrato das minorias incomoda justamente porque foge das convenções sociais, do que é estabelecido como padrão. A fotógrafa acredita que, de alguma maneira, a partir das imagens, o que está à margem pode ser integrado ao centro. Nair consegue extrair poesia dos seus objetos de uma forma magistral, enxergando com sensibidade a dramaticidade sutilmente presente. Talvez seja essa maneira peculiar de abordagem que faz com que o observador seja convidado a refletir sobre cenas que normalmente evita enxergar.

Um dos primeiros ensaios de Nair Benedicto que ganhou destaque foi sobre Forró, onde uma célebre foto retratando um casal que dançava na pista, com os corpos próximos, trocando beijos e carícias em meio ao público. A imagem trata do amor existente independentemente de padrões estéticos socialmente impostos. Um retrato sincero do sentimento de duas pessoas que se encontram na busca do prazer e da felicidade.

Apresentação na entrega do Prêmio  Trip Transformadores 2010 em São Paulo.

Sobre o autor

Juca Martins é fotógrafo profissional especializado em fotojornalismo e documentação.Participação em exposições no Brasil e no exterior. Premio Esso de Fotografia e Premio Vladimir Herzog de Direitos Humanos. Atualmente é editor e fotografo da Agencia Olhar Imagem.