A Questão do Menor

Publicado em 16/08/2011 por

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A Questão do Menor

A Questão do Menor - Nair Benedicto

No inicio dos anos oitenta as crianças abandonadas eram recolhidas e amontoadas dentro de uma instituição chamada FEBEM, e suas fugas e transgressões, eram assunto abordado com frequencia nos principais jornais de São Paulo. Reportagens de texto sem imagens me intrigaram e resolvi fazer um trabalho sobre o tema.

Descobri que Lucia, uma psicóloga amiga estava conseguindo entrar em algumas unidades dessa chamada Fundação para o Bem Estar do Menor, pois estava fazendo sua tese de mestrado sobre menor encarcerado. Falando com ela sobre meu interesse, decidimos que eu faria o mesmo trajeto de solicitar permissão aos juízes, para ter direito de entrar. Depois pensamos melhor e resolvemos que eu poderia tentar ir junto com ela, também como psicóloga.

Assim foi! Com minha bolsa de fotógrafa cheia de máquinas e lentes e ela com seu gravador, caderninho e caneta chegamos naquele enorme prédio impessoal. Na entrada, o primeiro guarda ouviu atentamente minhas explicações e, creio eu, como havia várias outras barreiras pela frente, liberou meu ingress – apesar de estar sem autorização. À medida que fui passando as barreiras, meus argumentos iam ganhando solidez. Quando cheguei no diretor geral, eu já havia me convencido que era mesmo psicóloga iniciando um trabalho com fotos totalmente diferente, mas complementar ao de Lúcia. E assim, após a devida autorização, nos separamos discretamente agradecidas, cada uma com suas pautas.

Desde o início decidi que era importante a publicação do trabalho. Falei com Maria Nilde Mascellani e Elza Lobo, educadoras reconhecidas e respeitadas, e o projeto de livro começou a tomar forma.

Conseguimos publicar 2 volumes da série Documentos da F 4 – A GREVE DO ABC – para o qual convidamos todos os fotógrafos envolvidos na cobertura da primeira grande greve após os 30 anos de ditadura militar e A QUESTÂO DO MENOR – uma abordagem anti-cárcere. Contendo além das fotos na FEBEM, um trabalho impecável do Juca Martins, sobre as clínicas para onde os menores que davam um pouco mais de trabalho eram enviados. Deixo para o Juca contar sobre como ele se virou para conseguir as fotos absolutamente impressionantes do descaso para com essas crianças, e os desdobramentos que o trabalho teve.

Para mim, tudo começou ali

Publicado em 15/08/2011 por

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Eu trabalhava com Jean Solari fazendo áudio visual em 1981. O Jean tinha trabalhado na Realidade, com o assessor de imprensa da Du Pont, o Antonio Prado. Um dia o Prado ligou para o Jean e pediu para ele ir fotografar a inauguração da nova sede da empresa em Alphaville. Reclamou que a “empresa que estava fazendo as fotos para ele tinha dado algumas mancadas!!!!”. Essa “empresa” era a F4. Risos….

Como o Jean não poderia ir, me indicou. Chegando na pauta, quem encontro: Juca Martins e Nair Benedicto. Gelei. Papo vai papo vem, o que houve foi uma empatia muito grande. Meia hora depois do trabalho feito, estávamos na sala do assessor de imprensa reinvindicando um aumento para a nossa saída fotográfica. Claro que conseguimos. De lá para cá, nunca parei de, pelo menos tentar, cobrar mais pelos meus trabalhos.

Alguns dias depois me ligaram e me convidaram para a “nova F4″. Devo ter ainda guardado o recibo do pagamento que fiz para a Nair, quitando a minha parte na sociedade. Que maravilha!!!

Linda história.

Revolução Sandinista

Publicado em 15/08/2011 por

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Nicaragua, 1981, Juca Martins

Nicaragua, 1981, Juca Martins

Milhares de jovens guerrilheiros chegaram a Manágua em julho de 1979, apoiados pela maioria da população nicaraguense que sonhava com democracia, igualdade e justiça social, depois de 45 anos de ditadura da família Somoza. A Revolução Sandinista, que recebeu um forte apoio no mundo inteiro, prometia ajudar os mais pobres, dando-lhes terra, trabalho, educação, moradia e saúde. O novo governo Sandinista se propunha a fazer uma reforma agrária e urbana da proipriedade, a cruzada pela alfabetização, e a diminuição da mortalidadede infantil.

Desde a vitória da revolução, nós da Agencia F4 sempre tivemos como uma de nossas pautas acompanhar a aplicação desse processo de transformação. A primeira viagem foi feita por mim em 1981 para cobrir o segundo ano da Revolução Sandinista e acompanhar a implantação das reformas sociais. Já se iniciava no país o processo contra revolucionário através de ações de setores descontentes com as reformas feitas pelo governo.

Nicaragua, 1983, Cynthia Brito

Nicaragua, 1983, Cynthia Brito

Em 1983, Cynthia Brito foi à Nicaragua para continuar a documentação fotográfica do processo revolucionario nicaraguense, quando o pais já vivia internamente uma guerra civil. A economia começou a entrar em colapso, e a guerra civil a dizimar a juventude do pais.

Todos esse fatores de descontentamento interno levaram à derrota eleitoral da Revolução em 1990, e colocaram no poder a filosofia de livre mercado e da privatização, que também não resolveu o problema da Nicaragua. Trinta e dois anos depois da revolução, 70% da população continua a viver na pobreza e sofre com a fome e o desemprego.

Remexendo na Memória

Publicado em 10/08/2011 por

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O Nestor veio dos Diarios Associados para trabalhar com a gente fazendo laboratorio. Ele fazia parte de uma geração de jornalistas anteriores à regulamentação da profissão, profissionais formados dentro das redações, e que nunca voltavam de uma pauta sem trazer uma boa foto.

Juca Martins  - Zelão, eu e o Daniel estamos escrevendo um post chamado Frases do Nestor. Caso você lembre de algo interessante gostariamos que você nos envie.
Jose Molnar Filho  - Valeu Juca, como trabalhei junto com o “Velho Nestor” no laboratorio, lembro que ele chegava sempre atrasado. Antes mesmo de dar bom dia, ele perguntava se estava tudo sob controle.

Juca Martins  - Marquinhos, eu e o DAJ estamos escrevendo um post sobre as frases do Nestor. Estamos pedindo a tua ajuda para ver se você lembra de alguma coisa engraçada. Em caso positivo mande pra gente.

Marcos Alves  -Puta homenagem bacana, como diria o velho Nestor  ”lesgal”. Vou buscar aqui na memória, de pronto não lembro muitas.

Daniel Augusto Jr. – Juca teve uma ideia maravilhosa: colocarmos no blog da f4, algo do tipo “Frases do Nestor”. Se colocarmos a cabeça para funcionar, certamente, nos lembraremos das coisas que ele falava. Uma que guardo comigo até hoje: “Se você não tem uma boa idéia para uma foto, não faz viadagem, entortar camera, cortar pedaços, etc… Faz uma horizontal, uma vertical, com foco, boa luz e o trampo tá feito”. Algo mais ou menos assim. Vamos lembrar?

Trabalhando no Arquivo

Publicado em 09/08/2011 por

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Iniciei meu trabalho como bibliotecária na Agencia F4 ainda estudante. Na época foi um desafio, pois o curso na faculdade era voltado para bibliotecas convencionais.  Quando a oportunidade de trabalhar com fotografia surgiu, fiquei empolgada, pois trabalhar com material não convencional e numa agência com a proposta da F4 seria um desafio. O potencial era imenso, o pais vivendo uma ditadura militar, a agência iniciando suas atividades e a possibilidade de organizar um arquivo iconográfico sobre o Brasil era fascinante.. Adaptei algumas técnicas biblioteconômicas para organizar o acervo de forma crítica, através de seus assuntos expondo a linguagem da agência. Foi gratificante ter começado minha vida profissional convivendo e trabalhando durante 11 anos com a fotografia e com as pessoas desta agência, pois as dificuldades, o compromisso, o profissionalismo, o acolhimento, acrescentaram e marcaram profundamente de forma positiva minha vida, ajudando a me tornar  uma profissional qualificada no mercado de trabalho.

Marta Regina Rodrigues.

Presídio

Publicado em 08/08/2011 por

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Prisioneiras na cela do Presídio Feminino de Santos.SP.2011. foto© Stefan Kolumban.

presas

São Paulo 2011

O premio da Nair

Publicado em 05/08/2011 por

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Desde o início da carreira, Nair Benedicto esteve envolvida com as questões sociais. Seu trabalho é marcado pela voz que dá às minorias, propondo uma reflexão sobre temas como preconceito, violência contra a mulher, homossexualidade, o menor de rua e o índio. Por conta desse forte engajamento político, Nair passou momentos difíceis nos tempos da ditadura, quando foi presa e torturada.

Seu trabalho é reconhecido internacionalmente. Nair acredita no potencial transformador da fotografia, provocando reações na sociedade ao expor suas cicatrizes. O retrato das minorias incomoda justamente porque foge das convenções sociais, do que é estabelecido como padrão. A fotógrafa acredita que, de alguma maneira, a partir das imagens, o que está à margem pode ser integrado ao centro. Nair consegue extrair poesia dos seus objetos de uma forma magistral, enxergando com sensibidade a dramaticidade sutilmente presente. Talvez seja essa maneira peculiar de abordagem que faz com que o observador seja convidado a refletir sobre cenas que normalmente evita enxergar.

Um dos primeiros ensaios de Nair Benedicto que ganhou destaque foi sobre Forró, onde uma célebre foto retratando um casal que dançava na pista, com os corpos próximos, trocando beijos e carícias em meio ao público. A imagem trata do amor existente independentemente de padrões estéticos socialmente impostos. Um retrato sincero do sentimento de duas pessoas que se encontram na busca do prazer e da felicidade.

Apresentação na entrega do Prêmio  Trip Transformadores 2010 em São Paulo.

Gentileza dos amigos

Publicado em 04/08/2011 por

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“´Juca Martins´, o segundo volume da coleção ´Antologia Fotográfica´ publicado pela editora Dazibao, não somente traz de volta um dos maiores nomes do fotojornalismo brasileiro. Traça, em sua pequena edição de bolso, um painel fotográfico das últimas duas décadas da história brasileira, contada através das lentes de um dos mais críticos e contundentes repórteres fotográficos brasileiros. 
As fotografias funcionam como a história contada por quem participou diretamente do processo de mudança do país, registrando sem piedade seus momentos mais difíceis e dramáticos. São 45 imagens que colocam diretamente o leitor em confronto com seu passado recente, numa reavaliação de sua própria participação como espectador. Com um domínio sobre a câmera como poucos, Juca oferece imagens que comovem pela delicadeza e pelo rigor na composição com que foram feitas. Não importa se o tema é corriqueiro ou batido, ele vai buscar algo revelador que transcende a imagem comum e repetitiva a que se está acostumado a ver na imprensa brasileira.”

Juan Esteves

Esteves, Juan. Livro resgata olhar rigoroso de Juca Martins.Folha de S. Paulo. Ilustrada, p. E-9.

 

“O fotógrafo Juca Martins resolveu congelar em foto cenas paulistanas que o transeunte veria num sonho de maneira estranha, mas com os mesmos 140 graus que o olho humano estabelece em seu plano de visão. Pendurado numa câmera Wide Lux, que capta as imagens em panorâmicas sem deformá-las, Juca saiu pela Paulicéia em ritmo de teste. ´No começo era um passeio despretensioso pelo centro da cidade, cuja intenção era experimentar a máquina. Depois dos primeiros filmes revelados, algumas imagens sugeriam um caminho a seguir´, diz Juca. 
O caminho foi fincar a câmera em pontos conhecidos, como o Parque Ibirapuera, a Estação da Luz e a Avenida Paulista e esperar que cenas do cotidiano e as possibilidades da Wide se abrissem para a sensibilidade de Juca”.

Mariella Lazaretti

Lazaretti, Mariella. A São Paulo de Juca, real e onírica. Jornal da  Tarde.

The F4 return

Publicado em 03/08/2011 por

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Demos um grande passo quando enviamos um email cobrando uma posição do grupo que usou nosso nome no mesmo ramo de atividade. Não importa quantas F4 fotografias existam no Brasil, desde que nossa experiência e prática fiquem registradas e acessíveis a quem for pesquisar a nosso respeito na web.  Esse foi nosso erro: deixar uma experiencia tão rica se apagar, e até um verbete que tínhamos no Wikepedia foi excluído em 2006 por falta de atividade. Fomos considerados não importantes, mas estamos retomando nossa historia do grupo, e voltaremos a ser citados na rede. Em dez dias criamos um perfil no Facebook onde colocamos publicações para mostrar nossa atividade. Nesse período, 25 pessoas trocaram suas fotos de perfil pelo logotipo da F4,  que circulou num universo de 25 mil pessoas. Rapidamente fizemos uma reserve de domínio: www.agenciaf4.com, montamos um site-blog, que ja esta no ar, para os sócios publicarem suas ideias. Juca Martins.

Elogio

Publicado em 02/08/2011 por

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O trabalho da Lia é muito legal e o layout ficou bonito. Bora todo mundo fazer o seu.

Daniel.